terça-feira, 13 de setembro de 2016

Gaia

Olhos coloridos, mãos cheias de terra,
sorrisos cheios de vida e ouvidos atentos.
As mudinhas vão nas mãos,
a terra no pote e a satisfação de ser 'eu' que planta,
sujeito principal daquela ação.

A vida que se principia,
gerando e continuando a vida.
O ciclo de nós, cultivando o mundo.
Nas pequenas mãos,
garrafinhas com água que acaba sede,
e mostra o cuidado, desde tão sempre em nós,
o cuidado transborda e encharca a terra, sufoca nossas raízes.

Por fim, o olhar brilhante de se ver na terra,
de se(ve)r Gaia.
Parte de tudo, sujeito ativo do milagre diário da vida.
Das folhas que crescem por que o sol brilha,
dos frutos que nascem e alimentam a boca,
das flores que abrem e saciam os olhos. 

Nós que (nos) desatamos

Caminhando por novos lugares,
Descobrindo a cada dia um novo modo de andar
Olhar
Perceber

Cada ser carrega em si dúvidas,
Sobre que caminhos seguir,
Sobre certezas,
Sobre verdades

Todas as perguntas formam um emaranhado
E é isso que é viver,
Enrolar mais algumas coisas,
E desatar mais outras

Cada experiência, interação
Cria um mundo que se refaz, desfaz
Deixando novos destinos a escolher,
Então não tão destinados a ser.

Nos fazemos nos laços,
Criando uma rede que nos sustenta,
Define,
Amarra...

Assim, a experiência diária,
Do mundos novos,
Nos possibilitam crescer,
Aprender,
E resolver os nós que incomodam,
E saber quais são os que nos definem.

sábado, 12 de outubro de 2013

Vazio

E vem esse vazio de novo,
Essa falta de palavras,
Essa falta de vento,
De chuva...
Essa falta.

Lacuna,
Essa janela aberta,
Tão cheia de azul
E de oferta.

Essa escuridão,
Falta luz,
Essa solidão,
Falta gente,
Essa desilusão,
Falta amor.

Esse tempo,
Cicatriz,
Porta fechada,
Verniz.

Esse tanto de coisa de nada,
É um tanto de coisa com tudo,
E segue esse dia mudo,
Com essa brisa toda calada.

Agosto/2013

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Ex-quadros



E você borrou o céu
Com seu pincel e aquarela
Desenhou outro céu
Encheu todo ele de cores
Das suas tonalidades
De seus amores

Você quebrou o céu
E espalhou seus estilhaços
Em trechos com todos os reflexos
Do céu que estava todo borrado

Você derramou água do céu
Jogando as lágrimas todas no chão
Choveu com todas suas dores
Despetalou todas suas flores

Você se apaixonou pelo céu
Redefiniu-o
Juntou seus cacos
Secou os pingos da chuva no chão.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

SOLidão



E afinal é mesmo o sol que ilumina as coisas
Tudo vivifica,
Colore,
Acende


As sombras nos pés,
A escuridão que fica no chão
Pelo vôo das aves,
O contraste das altas árvores


Que mostra as nuvens tão algodoadas
Que alimenta cada folha,
Que nasce, e se põe como reflexo
em cada lua cheia.


Todo azul do céu,
Verde, amarelo,
E se esconde,
Para dar lugar à escuridão,
espaço ao sonho.

sábado, 25 de junho de 2011

Diário de Sensações II


Todos os ventos me traem,
Levam meus amores,
E trazem de volta segredos lacrados,
Com lágrimas-cadeado.

Todos os olhares me enganam
Com seu passado brilhante,
Nada mais que frustrante,
Tão cheio de medos e angústias

Todos os sonhos me iludem
Com suas sensações verdadeiras,
E suas gentes certeiras,
Lotado de tristeza ao acordar

Todas as injúrias me foram sinceras,
Ao mostrarem-se sempre tão reais,
Enchendo toda realidade,
De verdades que não são ditas,
Mais visíveis nas entrelinhas,
Nos seus meio-riscos,
Azuis, borrados de tinta,
E de novo, de água salgada,
Do mar,
Da sua íris.

tema: angústia, abandono

sábado, 23 de abril de 2011

Redescobrindo


E foi desejando ser você
Que eu encontrei a mim.
Numa dessas páginas meio viradas, rasgadas,
Fui procurando as palavras,
e defini tudo,
Sem nada,
Só pra me confundir.

Foi no meio de tantas paixões,
Que me apaixonei pelo mundo,
E por todas as coisas,
No meio delas eu me perdi,
Suspiros,
Coloridos e tão doces.

Querendo abraçar o mundo,
Abracei meu próprio corpo,
Descobrindo na solidão,
Uma grande amiga.

Querendo sentir tudo,
Achei na simplicidade
de novo,
o maior amor,
a amizade.

domingo, 13 de março de 2011

Eu, recomeço.

mais Clarice, menos Cecília,
mais amor,
menos arrependimento,
mais brilho,

um conjunto de teias
que não faz sentido,
mas que constrói, recomeça, desfaz,

menos sentido,
mais sensações.
e que não haja medo,
pois o que é novo assusta
mas também apaixona.

Máquina doTempo


Talvez antes tudo fosse melhor
mas as coisas só estão como são por ser agora e como é
“o bater de asas de uma borboleta...”
eu estaria com um emprego bom
vestindo calças cintura-alta
passando um batom rosa-vermelho
cantando Cyndi Lauper a plenos pulmões
teria um pôster no meu quarto dos menudos...
e tudo faria mais sentido na simplicidade,
e não na bagunça do meu pensamento.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Blablablá e etecétera



Agonizante
Reticente
Arquejante
Indecente.

Subentendido
Apaixonante
Enganador
Redundante.

Três
pontos
unidos,

seguidos
indecisos.

Um suspiro,
um algo mais,
uma flor soterrada,
um barco a espera no cais.

Valendo um brilho nos olhos,
Eles se unem
Todos tão encantadores
tão redondos e tão escuros.

um ponto, dois, três, adstritos,
dão uma paixão ao que é claro,
asas a imaginação,
ou apenas: nada.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Identificação

“Tinham percebido que havia muitas pessoas no mundo”. Vidas Secas – Graciliano Ramos



Perco olhos ao redor
olhos multicoloridos
encrustados em coisas tão monocromáticas, paradas
cores todas tão vazias
sofridas
brilhantes,
brilhando de dor,
de dor ao redor,
ao redor das lágrimas.

tintilar,
urras
vivas,
o mesmo brilho nos olhos,
vazios,
acompanhados de sorrisos que cintilam,
vazios.

e de novo,
procure resposta
e nada
assim que se firmam todos,
juntos e de novo nada.

o que são?
grupo?
só.
nada.

Melhor Fabianos, Sinhas Vitórias aos montes,
aonde somos nós, e somos nada,
somos um
e não todos,
não há grupo que exista,
só existe o Eu
e nada mais.

domingo, 31 de outubro de 2010

(não)conselhos



Vive a vida, não a fotografes.
Procura respostas em ti mesmo, não em João Bidu
Quando a vida te fizer sentir dor, cura teu coração, mas não uses Mertiolate
Se parecer que tudo está no fim, vive o máximo, não creias no para sempre
Talvez o amor da tua vida não te ame, acalma-te, tudo passa
No dia em que te enjoar de todas as cores, não queiras o escuro, afoga-te no branco, e
[todas as cores te tocarão
Tuas palavras podem te cansar, mas não deixe de dizê-las talvez mudem algo para alguém
Pelo teu rosto lágrimas vão correr, enxuga-as, mas não as desvalorize, são parte de você


E, por fim
Não siga nada que te disse
Por que a mudança deve vir de você.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Nada

Eu quero um algo para escrever, um alguém para amar, eu quero um motivo doce para pulsar. Quero amigos, sonhos, flores. Quero chocolate e chorar pelas dores. Eu quero que o eu sejamos nós, juntos de mãos dadas.
Quero todas as linhas,
Sem versos,
Quero contínuo. Ventania. Até confusão.
Qualquer coisa não-nula, qualquer diferença, diferente de nada.
Sejamos músicas, todos os dós, todos os tons, todas as cores.
Sinestésicos, sensacionais, gritantes, sazonais.
Brilhantes, desconectados, ligações covalentes e iônicas.
E quero acima de tudo ser o mundo, ser Humano.

.




Seus cacos
Vidrados em meus olhos.
Minhas inseguranças
Seus medos
Seus sonhos
Segredos.

Dor é
Não ter,
Ser.

Somos o que?
A dúvida
O desejo?
A falta ferida.

Coração aberto
Todo embolado
Cheio de aperto
Fechado.

sábado, 6 de março de 2010

Servidão


A submissão é mais fácil que a rebeldia
Mas a consequência da covardia
Do ato, é a dependência,
Disfarçada de benevolência,
Essa dependência vem mesmo que tardia.

Não queremos teatro
Não queremos manifestações
Queremos resolvido nosso trato
Devolvidas nossas orações.
Eles nos dão barulho, queremos canções
Deixaram-nos fartos
Iremos embora sem emoções.