sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Blablablá e etecétera



Agonizante
Reticente
Arquejante
Indecente.

Subentendido
Apaixonante
Enganador
Redundante.

Três
pontos
unidos,

seguidos
indecisos.

Um suspiro,
um algo mais,
uma flor soterrada,
um barco a espera no cais.

Valendo um brilho nos olhos,
Eles se unem
Todos tão encantadores
tão redondos e tão escuros.

um ponto, dois, três, adstritos,
dão uma paixão ao que é claro,
asas a imaginação,
ou apenas: nada.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Identificação

“Tinham percebido que havia muitas pessoas no mundo”. Vidas Secas – Graciliano Ramos



Perco olhos ao redor
olhos multicoloridos
encrustados em coisas tão monocromáticas, paradas
cores todas tão vazias
sofridas
brilhantes,
brilhando de dor,
de dor ao redor,
ao redor das lágrimas.

tintilar,
urras
vivas,
o mesmo brilho nos olhos,
vazios,
acompanhados de sorrisos que cintilam,
vazios.

e de novo,
procure resposta
e nada
assim que se firmam todos,
juntos e de novo nada.

o que são?
grupo?
só.
nada.

Melhor Fabianos, Sinhas Vitórias aos montes,
aonde somos nós, e somos nada,
somos um
e não todos,
não há grupo que exista,
só existe o Eu
e nada mais.

domingo, 31 de outubro de 2010

(não)conselhos



Vive a vida, não a fotografes.
Procura respostas em ti mesmo, não em João Bidu
Quando a vida te fizer sentir dor, cura teu coração, mas não uses Mertiolate
Se parecer que tudo está no fim, vive o máximo, não creias no para sempre
Talvez o amor da tua vida não te ame, acalma-te, tudo passa
No dia em que te enjoar de todas as cores, não queiras o escuro, afoga-te no branco, e
[todas as cores te tocarão
Tuas palavras podem te cansar, mas não deixe de dizê-las talvez mudem algo para alguém
Pelo teu rosto lágrimas vão correr, enxuga-as, mas não as desvalorize, são parte de você


E, por fim
Não siga nada que te disse
Por que a mudança deve vir de você.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Nada

Eu quero um algo para escrever, um alguém para amar, eu quero um motivo doce para pulsar. Quero amigos, sonhos, flores. Quero chocolate e chorar pelas dores. Eu quero que o eu sejamos nós, juntos de mãos dadas.
Quero todas as linhas,
Sem versos,
Quero contínuo. Ventania. Até confusão.
Qualquer coisa não-nula, qualquer diferença, diferente de nada.
Sejamos músicas, todos os dós, todos os tons, todas as cores.
Sinestésicos, sensacionais, gritantes, sazonais.
Brilhantes, desconectados, ligações covalentes e iônicas.
E quero acima de tudo ser o mundo, ser Humano.

.




Seus cacos
Vidrados em meus olhos.
Minhas inseguranças
Seus medos
Seus sonhos
Segredos.

Dor é
Não ter,
Ser.

Somos o que?
A dúvida
O desejo?
A falta ferida.

Coração aberto
Todo embolado
Cheio de aperto
Fechado.

sábado, 6 de março de 2010

Servidão


A submissão é mais fácil que a rebeldia
Mas a consequência da covardia
Do ato, é a dependência,
Disfarçada de benevolência,
Essa dependência vem mesmo que tardia.

Não queremos teatro
Não queremos manifestações
Queremos resolvido nosso trato
Devolvidas nossas orações.
Eles nos dão barulho, queremos canções
Deixaram-nos fartos
Iremos embora sem emoções.